Ébola. OMS está preocupada com escala e velocidade do surto e vai reunir de emergência

Ébola. OMS está preocupada com escala e velocidade do surto e vai reunir de emergência

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde está "profundamente preocupado com a escala e a velocidade" do surto de Ébola, que está a atingir a República Democrática do Congo e que já provocou 131 mortos e 513 casos suspeitos. A organização das Nações Unidas vai convocar o comité de emergência.

Cristina Sambado - RTP /
Arlette Bashizi - Reuters

"Vamos convocar esta terça-feira o comité de emergência para nos aconselhar sobre recomendações temporárias", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, no segundo dia da assembleia anual dos Estados-membros da OMS.

O diretor-geral da OMS declarou no domingo Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, o segundo nível de alerta mais elevado.

Para esta terça-feira está também previsto um encontro de um painel de especialistas liderado pela Organização Mundial de Saúde para discutir se existem opções de vacinas para ajudar a combater o surto de ébola que está a afetar o leste da República Democrática do Congo. Não existem vacinas ou tratamentos aprovados para a estirpe Bundibugyo do Ébola, que tem uma taxa de mortalidade de até 40 por cento.

No entanto, existe uma vacina chamada Ervebo, fabricada pela Merck, que é utilizada contra a estirpe Ébola Zaire, mas que demonstrou, em estudos com animais, alguma proteção contra a estirpe Bundibugyo. A possibilidade de testar esta e outras opções estará na agenda.

"Quando houver um surto com uma estirpe que não tem contramedidas, iremos aconselhar sobre a melhor abordagem a adotar", disse o Mosoka Fallah, diretor interino do departamento científico do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças de África (Africa CDC). "Analisaremos as provas disponíveis e tomaremos uma decisão"Casos reportados em vastas áreas da RDC
O surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) resultou provavelmente em 131 mortes registadas e 513 casos suspeitos, afirmou o ministro congolês da Saúde numa declaração na televisão nacional na noite de segunda-feira.

"Registámos aproximadamente 131 mortes suspeitas no total e temos cerca de 513 casos suspeitos", disse Samuel Roger Kamba.

Um porta-voz do governo da República Democrática do Congo afirmou que os casos estão agora a ser reportados numa área mais vasta.

Há ainda dois casos confirmados e uma morte no Uganda, segundo os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.Emergência internacional
A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto da atual estirpe do Ébola, provocada pelo vírus Bundibugyo, como uma emergência internacional.

À medida que este surto mortal de Ébola continua a espalhar-se, o governo congolês procura tranquilizar a população, afirmando que as suas equipas de resposta estão a trabalhar arduamente para rastrear e investigar infeções suspeitas e que não há motivo para pânico.No entanto, com casos agora identificados em novas áreas, incluindo Nyakunde, na província de Ituri, Butembo, no Kivu do Norte, e a cidade de Goma, a preocupação aumenta inevitavelmente.

A OMS afirmou que o surto na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, constitui uma emergência de saúde pública de importância internacional, mas não preenche os critérios para ser considerado uma pandemia.

A agência alertou ainda que o surto pode ser "muito maior" do que o atualmente detetado e reportado, com um risco significativo de disseminação local e regional.

Mais de 28.600 pessoas foram infetadas pelo Ébola durante o surto de 2014-2016 na África Ocidental, o maior surto do vírus desde a sua descoberta em 1976.


A doença alastrou a vários países dentro e fora da África Ocidental, incluindo a Guiné, Serra Leoa, Estados Unidos, Reino Unido e Itália, provocando a morte a 11.325 pessoas.

O vírus Ébola transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas. Segundo a OMS, o vírus apresenta uma taxa de mortalidade entre 25% e 90%.
Rastreios transfronteiriços
Jean Kaseya, chefe dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças, disse à BBC que o número de casos suspeitos tinha chegado a quase 400.

Segundo Jean Kaseya, na ausência de vacinas e medicamentos eficazes, as pessoas devem seguir as medidas de saúde pública, incluindo as orientações sobre como lidar com os funerais daqueles que morreram em consequência da doença.


"Não queremos que as pessoas sejam infetadas por causa dos funerais", disse ao programa Newsday da BBC.

Os funerais comunitários, nos quais as pessoas ajudavam a lavar os corpos dos seus entes queridos, contribuíram para que muitas pessoas fossem infetadas nas fases iniciais do grande surto, há mais de uma década.

A OMS aconselhou a República Democrática do Congo e o Uganda, dois países com casos confirmados, a realizarem rastreios transfronteiriços para evitar a propagação do vírus.

A OMS instou ainda os países vizinhos a "melhorarem a sua preparação e prontidão", incluindo a vigilância em instalações de saúde e comunidades.

O Ruanda, país vizinho, afirmou que iria intensificar o rastreio ao longo da sua fronteira com a República Democrática do Congo como "medida de precaução", enquanto a Nigéria disse estar a "monitorizar de perto a situação".Médico norte-americano entre os casos confirmados Um médico norte-americano está entre os casos confirmados na República Democrática do Congo, segundo informações do grupo missionário médico com quem trabalhava e do CDC.

O indivíduo será levado para a Alemanha para tratamento, avançou a CBS News.


Embora o CDC não tenha divulgado o nome do norte-americano que trabalha no país, o grupo missionário médico Serge afirmou que um dos seus médicos norte-americanos, Peter Stafford, testou positivo para o Ébola.

Outros dois médicos do grupo que foram expostos enquanto tratavam doentes, incluindo a mulher de Stafford, a médica Rebekah Stafford, não apresentaram sintomas e estão a seguir os protocolos de quarentena, afirmou o grupo em comunicado.

A CBS News citoufontes que afirmam que pelo menos seis norte-americanos foram expostos ao vírus Ébola durante o surto na República Democrática do Congo.

O CDC está a apoiar a "retirada segura de um pequeno número de americanos diretamente afetados", mas não confirmou quantos.

O governo norte-americano estaria a procurar providenciar transporte para o pequeno grupo de americanos na República Democrática do Congo até um local seguro para quarentena, segundo informou uma fonte ao site de notícias de saúde STAT.

O site acrescenta que o grupo poderá ser levado para uma base militar norte-americana na Alemanha, embora tal não tenha sido confirmado.

O CDC recusou responder a perguntas diretas sobre os cidadãos norte-americanos alegadamente afetados durante uma conferência de imprensa no domingo.

Numa atualização na segunda-feira, a agência de saúde pública afirmou que o risco para os EUA era relativamente baixo, mas que iria implementar uma série de medidas para impedir a entrada da doença no país.


Isto inclui a monitorização dos viajantes que chegam de áreas afetadas e a imposição de restrições de entrada a portadores de passaportes não americanos que tenham estado no Uganda, na República Democrática do Congo ou no Sudão do Sul nos últimos 21 dias.

O CDC afirmou que irá trabalhar com as companhias aéreas e outros parceiros para rastrear os contactos dos passageiros, aumentar a capacidade de testagem e a prontidão hospitalar para responder ao surto.

Os EUA emitiram também um alerta de viagem de Nível 4 – o nível mais grave – desaconselhando as viagens para a República Democrática do Congo.

c/agências 
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